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sábado, 7 de abril de 2018

Caso Lavon

O Caso Lavon refere-se a um escândalo político conduzido no Egipto no verão de 1954. Como parte de uma operação de falsa bandeira, um grupo de judeus egípcios foram recrutados pela inteligência militar de Israel com o objectivo de plantar bombas em solo egípcio. Os ataques foram feitos para culpar a Irmandade Muçulmana, entidade egípcia comunista, "descontentes não especificados" ou "nacionalistas locais", com o fim de criar um clima de violência e instabilidade para induzir o Governo Britânico a manterem as suas tropas no Egipto na zona do Canal Suez.



No início de 1950, os Estados Unidos iniciaram uma política mais activista de apoio para o nacionalismo egípcio, o que estava muitas vezes em contraste com as políticas britânicas de manter sua hegemonia regional. Israel temia que esta política, que incentivou a Grã-Bretanha a retirar as suas forças militares do Canal de Suez, encoraja-se as ambições militares do presidente egípcio Nasser em relação a Israel.

Israel procurou primeiro influenciar essa política através de meios diplomáticos, mas sem resultado.

No verão de 1954 o coronel Binyamin Gibli, o chefe da inteligência militar de Israel, Aman, iniciou Operação Susannah (Caso Lavon), a fim de reverter essa decisão.

Aman decidiu activar a rede na primavera de 1954. Em 2 de julho, a célula bombas incendiárias uma estação de correios em Alexandria, e em 14 de julho, que bombardearam as bibliotecas da Agência de Informação dos EUA em Alexandria e no Cairo e um teatro de propriedade britânica. As bombas caseiras, que consistem em sacos contendo ácido colocado sobre a nitroglicerina, foram inseridos em livros, e colocados nas prateleiras das bibliotecas pouco antes do tempo de fechar. Várias horas mais tarde, como o ácido corroeu os sacos, as bombas explodiram. Porém fizeram poucos danos não causando feridos ou mortos.

Antes de o grupo começar a operação, a agente israelita Avri Elad (Avraham Zeidenberg) foi enviada para supervisionar as operações. Elad assumiu a identidade de Paul Frank, um oficial da SS nazistas. Avri Elad supostamente informou os egípcios onde estaria o engenho explosivo, e o Serviço de Inteligência Egípcia seguiu o suspeito até ao local, o teatro RIO.

As autoridades egípcias prenderam este suspeito, Philip Natanson, quando a sua bomba acidentalmente inflamou prematuramente no bolso. Depois de terem procurado no seu apartamento, eles encontraram provas incriminatórias e os nomes dos cúmplices da operação.

Vários suspeitos foram detidos, incluindo judeus egípcios e israelitas à paisana. O coronel Dar e Elad conseguiram escapar. Dois suspeitos, Yosef Carmon e Meir Max Bineth cometeram suicídio na prisão.

Fonte:
https://askatasunaren.blogspot.pt/2014/11/caso-lavon-outra-operacao-de-bandeira.html

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Revolta do chá

Revolta do chá levou à Revolução Americana

Quando um grupo de comerciantes descontentes organizou uma revolta contra o pagamento de uma taxa alfandegária pela importação de chá, exigida pela coroa britânica aos colonos estabelecidos na América, estava dado o tiro de partida numa revolução que culminaria com a independência dos Estados Unidos, em 1776.



Em 1770, o Parlamento britânico revogou a maior parte dos impostos cobrados aos colonos americanos, que se recusavam a pagar para um Governo que não lhes garantia nenhuma representatividade política. No entanto, numa demonstração de soberania sobre o território, a coroa manteve de pé os direitos aduaneiros no comércio de chá, um dos produtos favoritos dos colonos.

Em Maio de 1773, numa tentativa de recuperar uma parte da fortuna gasta na guerra dos sete anos, o Rei George III impôs o monopólio da Companhia das Índias Orientais no comércio de chá para a América, fixando um preço especial para os colonos, que contrabandeavam aquele produto. Estes, em protesto contra a decisão de Londres, impediram que os navios carregados com chá pudessem atracar nos portos de Filadélfia e Nova Iorque.



Em Dezembro, na cidade de Boston, mais de sete mil homens, liderados por Samuel Adams, acorreram ao porto para impedir três navios da Companhia das Índias de descarregar. Quando o governador exigiu o pagamento do imposto, um grupo de homens disfarçados de índios Mohawk infiltrou-se nos navios e atirou todo o chá borda fora. A acção rebelde foi aplaudida pelos colonos americanos e punida pelo Parlamento britânico: em Março de 1774 foi aprovada uma lei a encerrar o porto de Boston ao comércio, até a Companhia das Índias ser ressarcida do prejuízo.



Mas outras tea parties semelhantes àquela já tinham tomado conta dos portos de outras cidades, aprofundando as divisões entre forças patrióticas e lealistas. Para reagir à decisão da metrópole, os colonos convocaram o primeiro Congresso Continental, ao qual chegaram delegados de 12 das 13 colónias, e deram início à guerra revolucionária. Um segundo Congresso foi reunido em Filadélfia, em 1775, já com a presença de todas as colónias - os seus dignitários foram aqueles que redigiram e aprovaram a Declaração de Independência dos EUA, a 4 de Julho de 1776.

FONTE:
https://www.publico.pt/2010/02/01/jornal/revolta-do-cha-levou-a-revolucao-americana-18706197

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ENOLA GAY

Enola Gay foi o nome dado a um bombardeiro Boeing B-29 americano, que lançou uma bomba atómica na cidade de Hiroshima, no Japão, na manhã de 6 de agosto de 1945, precipitando o final da Segunda Guerra Mundial.



Essa aeronave foi escolhida na fábrica Glenn Martin, em Omaha, Nebraska (que fabricava os B-29 sob licença da Boeing) pelo Coronel Paul Tibbets Jr, então com 30 anos e comandante do 509º Composite Group, unidade designada para lançar os ataques atômicos contra o Japão.

Era um modelo bastante modificado do B-29, levava o c/n 44-86292, e tinha compartimentos de bombas especificamente adaptados para levar uma única bomba de cerca de 4,5 toneladas. Seu armamento defensivo foi todo removido para aliviar peso e melhorar o desempenho da aeronave.



A aeronave foi aceita formalmente pela US Army Air Force (USAAF) em 18 de maio de 1945 e transferida para a base do 509º CG em 14 de junho de 1945. A aeronave era pilotada pelo Capitão Robert A Lewis, mas foi comandada pelo Coronel Tibbets em pessoa na missão atômica sobre Hiroshima, ficando Lewis como co-piloto.

Em julho de 1945, sempre sob o comando de Lewis, a aeronave efetuou oito missões de treinamento e duas missões de combate, lançando bombas "arrasa-quarteirão", de peso e tamanho aproximadamente iguais ao da bomba atómica, sobre Kobe e Nagoya.



O avião foi batizado Enola Gay, na véspera do ataque atómico, em homenagem á mãe do Coronel Tibbets, Enola Gay Tibbets, para desgosto do Capitão Lewis, que considerava a aeronave como "seu avião".

A missão em Hiroshima foi bem sucedida, mas nem a aeronave nem o piloto lançaram a segunda bomba, em Nagasaki, missão que ficou a cargo do Capitão Charles Sweeney e do B-29 batizado de Bock's Car. O Enola Gay voou nessa missão como observador meteorológico, sobre a cidade de Kokura.



Após o fim da guerra, a aeronave voltou aos Estados Unidos em 6 de novembro de 1945 para a nova base do 509º, em Roswell, New Mexico. Participou, embora sem lançar nenhum artefato atómico, da Operação Crossroads, em Bikini, Ilhas Marshall, na qual os americanos fizeram dois testes nucleares em 1946.

A aeronave foi desativada pela USAAF em 24 de julho de 1946, e doada à Smithsonian Institution na mesma data, sendo removida para o "boneyard" de Davis-Monthan, em Tucson, Arizona, para estocagem.



A aeronave foi entregue para a Smithsonian Institution em 3 de julho de 1949 pelo Coronel Tibbets em pessoa, e depois foi hangarada em vários locais até o início da sua restauração, em 5 de dezembro de 1984, em Suitland, Maryland.

Atualmente, a aeronave está totalmente restaurada e em exibição pública no Steven F. Udvar-Hazy Center, próximo ao Aeroporto Internacional Dulles, de Washington, EUA, sendo severamente vigiada para evitar atentados. devido à sua história.

FONTE:
https://aminoapps.com/c/eras-historicas/page/blog/enola-gay-o-aviao-que-lancou-a-bomba-atomica-em-hiroshima-saiba-um-pouco-da-sua-historia/DeL2_JXtPumK56KjDEqe2xPxMGldY4EqlK

domingo, 28 de janeiro de 2018

Frank Carlucci e o Verão Quente de 75

Frank Carlucci, embaixador dos Estados Unidos em Portugal durante a Revolução dos Cravos, admitiu ter comandado todas as actividades da CIA no país durante o Verão Quente de 1975.




A revelação é feita no livro "Carlucci vs. Kissinger - Os EUA e a Revolução Portuguesa", de Bernardino Gomes e Tiago Moreira de Sá (Ed. D. Quixote) que, com recurso a documentos desclassificados dos arquivos norte-americanos, reconstitui, em cerca de 500 páginas, a forma como os Estados Unidos acompanharam a situação em Portugal de 1974 a 1976.

 Frank Carlucci


"Tudo o que a CIA fez foi sob o meu comando. Qualquer acção que possa ter desenvolvido destinava-se a executar a política dos EUA, que era apoiar as forças democráticas em Portugal. A CIA era parte da equipa [da embaixada] e eles faziam o que lhes mandava", afirma o ex-diplomata na obra.

Carlucci foi sempre um alvo do PCP e da extrema-esquerda. Chegou a Portugal no início de 1975, meses depois do 25 de Abril, em pleno ambiente revolucionário, e tinha palavras de ordem contra ele pintadas nas paredes de Lisboa.



A declaração do ex-diplomata é feita a propósito da importância que dava às "informações" e para explicar o primeiro diferendo que teve com o secretário de Estado, Henry Kissinger, sobre a revolução portuguesa e a resposta a dar pelos Estados Unidos.

Carlucci estava a favor dos "moderados" e Kissinger, durante algum tempo, alimentou a teoria da vacina, que Portugal estava perdido para os comunistas e que, por isso, serviria de "vacina" para outros países em transição, como Espanha e Grécia, ou onde os comunistas tinham crescente influência, Itália.



Sem seu conhecimento prévio, em finais de Janeiro de 1975, o Departamento de Estado envia a informação, tendo como base os serviços de informações, de que "o PCP e elementos de esquerda do MFA" estariam a "planear um golpe" contra os moderados, informações que Carlucci desvalorizou, pedindo que, de futuro, pudesse ter "acesso a toda a informação de 'intelligence' e uma hipótese de a comentar antes de ela ser distribuída".

No livro, os dois autores apresentam "a visão e a acção política dos Estados Unidos em Portugal durante a transição democrática", em que Washington receou que Portugal se tornasse um país comunista.



"A acção da América acabou mesmo por contribuir para a vitória das forças democráticas", concluem.

Outra das conclusões é que, apesar de Washington ter sido surpreendida pelo golpe do Movimento das Forças Armadas (MFA), a 25 de Abril de 1974, que derrubou uma ditadura de 48 anos, foi recebendo muitas informações sobre a eventualidade de um golpe dos jovens oficiais.

A 23 de Abril de 1974, um diplomata norte-americano de passagem por Lisboa, Bob Bentley, encontrou-se com um "colaborador próximo" do presidente do conselho a um dia de ser deposto, Marcello Caetano, que lhe falou da iminência de um golpe.

Bentley dirigiu-se à sua embaixada em Lisboa, onde o número dois, Richard Post (em substituição do embaixador Stuart Nash Scott, ausente a caminho dos Estados Unidos), dizendo-lhe o que apurara.

Richard Post, com quem Bentley tinha más relações, "respondeu-lhe que não tinha nada a ver com o assunto e expulsou-o do seu gabinete".



Este trabalho resulta de quatro anos de investigação nos Estados Unidos e em Portugal, através da consulta de arquivos e de muitos documentos norte-americanos desclassificados, e aborda todas as fases da revolução portuguesa:  o 28 de Setembro, o golpe de 11 de Março, o Verão Quente e o 25 de Novembro.

Com um Governo em que participavam ministros comunistas, os Estados Unidos receavam pela segurança dos segredos militares da NATO, tendo equacionado o cenário de expulsão ou "quarentena" da Aliança Atlântica.

Num país à beira da guerra civil, no Verão Quente, os autores consideram que o PS, liderado por Mário Soares, chegou mesmo a "pedir ajuda militar",  pedido esse recusado e que só terá chegado passado o 25 de Novembro, com a entrega de material para a tropa de choque.

A apresentação está marcada para dia 30 de Setembro na Fundação Luso-Americana, em Lisboa, numa cerimónia em que estarão presentes o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

Bernardino Gomes é licenciado em Ciências Políticas pela Universidade de Lovaina (Bélgica), foi chefe de gabinete de Mário Soares quando este era primeiro-ministro, é assessor do Ministério dos Negócios Estrangeiros e investigador do Instituto Português de Relações Internacionais.

Tiago Moreira de Sá foi jornalista (1995-2003), é historiador, autor do livro "Os Americanos na Revolução Portuguesa" (Ed. Notícias) e actualmente é investigador do IPRI, Universidade Nova.

FONTE:
https://www.jn.pt/nacional/interior/carlucci-comandou-accoes-da-cia-no-pos-25-de-abril-1016349.html

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